Namorávamos há seis meses. Ele estava com 18 anos, eu, 17. Foi então que surgiu um emprego para ele como ajudante de engenheiro agrimensor, para trabalhar em Apiaí, no sul do Estada de são Paulo.
Nosso namoro, apesar de estar no começo, era considerado sério. Estávamos encantados um com o outro.
Nos dias que antecederam sua partida, procurávamos estar juntos a maior parte do tempo, sofrendo de saudades antecipadas.
Naquele tempo, passava pela cidade uma linha ferroviária chamada Estrada de Ferro Bragantina e havia duas estações: a de Bragança, no Lavapés, e a Estação do Taboão. no outro extremo da cidade. A distância entre uma e outra era de poucos quilômetros.
No dia em que ele ia partir, tomando o trem na Estação de Bragança, nos encontramos no centro da cidade para as despedidas; olhos nos olhos, juras de amor ( era só o que se concedia na época ) e a separação.
Eu me reuni a algumas amigas e fomos para a casa de uma delas que ficava para os lados do bairro do Taboão. Todas queriam saber como tinha sido a despedida. Risos e brincadeiras. Então, de repente, me veio uma vontade louca de vê-lo outra vez.
A Estação do Taboão ficava a uns quinhentos metros da casa de minha amiga, e o trem ia fazer uma parada para pegar mais passageiros.
Gritei para as amigas: - Vou até a Estação! E saí em desabalada carreira.
Corri, corri, desesperada para chegar a tempo de ver o meu amor, mas o trem já estava partindo e só consegui vê-lo de relance. Ele me viu, acenou um adeus e eu fiquei olhando até a composição desaparecer na curva.
Coisas da juventude!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
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que lindo, vó!
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