terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Minha Primeira Poesia

MONTE VERDE

Incrustada na montanha,
Jóia, verde esmeralda,
de céu azul, ar puro,
no alto, a passarada.

A estrada, em zig-zag,
passa por eucalíptos,
pinheiros e araucárias.
No ar, aroma sutil.

Linda vista; ao longe
os montes se multiplicam,
o verde muda de tom,
fica azul, quando triplicam.

Lá, bem no horizonte,
os cumes entram nas nuvens.
Olhando essa paisagem,
cremos em Deus, nosso lúmen!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Meus dois escudeiros

Rafael e eu, depois de quase três anos de namoro, tivéramos uma briga muito feia, tão feia que pôs fim no nosso relacionamento.
Em maio de 1945 quando estávamos brigados, ia acontecer o casamento de uma grande amiga; o futuro marido dela e o Rafael eram também grandes amigos, assim, ele foi convidado para ir ao casamento. Veio de São Paulo com o noivo outro amigo seu chamado Antero que me foi apresentado, se interessou por mim e iniciamos um namorico.
Depois da cerimônia do casamento na Igreja, ia haver um baile num salão da cidade e Antero pediu a meus pais para me levar e eles permitiram.
Chegamos à festa. O Rafael estava lá! Quando o vi, meu coração disparou, pois fazia quarenta dias que estávamos separados. Uma eternidade!
Pensam que fiquei em casa me lamentando? Muito pelo contrário, pois durante esse tempo, "paquerei"(não era esse o termo usado na época) três rapazes, que, modéstia à parte, encantaram-se comigo.
No baile, dancei com vários rapazes, principalmente com Antero. Em certo momento o irmão caçula da noiva veio me dar um recado:
- O Rafael mandou perguntar se você dança com ele.

Meu Deus, era o que eu mais queria! -Diga que sim.
Dali a pouco, quando começou a música, ele veio. Saímos dançando, o coração de ambos batendo descompassadamente, a gente querendo falar e não dizendo nada, mas o calor dos nossos corpos falava por nós.
Depois as danças se revezaram entre Rafael e Antero.
Rafael e eu já nos havíamos entendido e estávamos loucos para ficarmos a sós, para trocarmos beijos e abraços; então ele disse:
Vou levar você para casa.
- Não é possível, pois o Antero me trouxe e vai querer me levar, cumprindo o trato que fez com meus pais.
Vamos fazer o seguinte: nós sairemos pela porta lateral, um de cada vez, para ele não perceber; eu saio primeiro e você vai logo em seguida.
Combinado.
O Antero, porém, que não era bobo nem nada, desconfiou e quando eu saí logo atrás do Rafael, quem encontramos na porta? O próprio.
Os dois começaram a discutir, ambos querendo me fazer companhia até minha casa. Com medo que a discussão se agravasse, eu disse:
- Os dois me levam!
E assim foi feito: eu no meio e um de cada lado. Chegando em casa, me despedi dos dois e entrei. Entrei, fechei a porta, mas não subi a escada; fiquei esperando, pois sabia que o Rafael voltaria. Dentro de alguns minutos, uma leve batida... Abri a porta e os braços e matamos as saudades represadas. Sò abraços e beijos , o que se permitia na época.
Em junho, no dia de S.Pedro, ficamos noivos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

algumas trovas da Leda

Viver com muito otimismo,
é bom à longevidade;
se além houver altruísmo,
haverá felicidade.

Ai, este amor infinito
que vive em meu coração,
como pode, amor bendito,
viver só de ilusão?

Oh, lindo amor, minha sorte,
tão entranhado no ser,
que mesmo depois da morte
ele existe sem saber.

Ai, que saudade de mim,
quando tinha ilusão
da vida, sonho sem fim,
enchendo meu coração!

Longe vai a mocidade,
tempo que fui tão feliz!
Dela sobrou a saudade,
da vida, a cicatriz.

Inverno, bela estação,
na qual a planta descança
pra voltar em vibração,
com toda sua pujança.