domingo, 7 de fevereiro de 2010

Meus dois escudeiros

Rafael e eu, depois de quase três anos de namoro, tivéramos uma briga muito feia, tão feia que pôs fim no nosso relacionamento.
Em maio de 1945 quando estávamos brigados, ia acontecer o casamento de uma grande amiga; o futuro marido dela e o Rafael eram também grandes amigos, assim, ele foi convidado para ir ao casamento. Veio de São Paulo com o noivo outro amigo seu chamado Antero que me foi apresentado, se interessou por mim e iniciamos um namorico.
Depois da cerimônia do casamento na Igreja, ia haver um baile num salão da cidade e Antero pediu a meus pais para me levar e eles permitiram.
Chegamos à festa. O Rafael estava lá! Quando o vi, meu coração disparou, pois fazia quarenta dias que estávamos separados. Uma eternidade!
Pensam que fiquei em casa me lamentando? Muito pelo contrário, pois durante esse tempo, "paquerei"(não era esse o termo usado na época) três rapazes, que, modéstia à parte, encantaram-se comigo.
No baile, dancei com vários rapazes, principalmente com Antero. Em certo momento o irmão caçula da noiva veio me dar um recado:
- O Rafael mandou perguntar se você dança com ele.

Meu Deus, era o que eu mais queria! -Diga que sim.
Dali a pouco, quando começou a música, ele veio. Saímos dançando, o coração de ambos batendo descompassadamente, a gente querendo falar e não dizendo nada, mas o calor dos nossos corpos falava por nós.
Depois as danças se revezaram entre Rafael e Antero.
Rafael e eu já nos havíamos entendido e estávamos loucos para ficarmos a sós, para trocarmos beijos e abraços; então ele disse:
Vou levar você para casa.
- Não é possível, pois o Antero me trouxe e vai querer me levar, cumprindo o trato que fez com meus pais.
Vamos fazer o seguinte: nós sairemos pela porta lateral, um de cada vez, para ele não perceber; eu saio primeiro e você vai logo em seguida.
Combinado.
O Antero, porém, que não era bobo nem nada, desconfiou e quando eu saí logo atrás do Rafael, quem encontramos na porta? O próprio.
Os dois começaram a discutir, ambos querendo me fazer companhia até minha casa. Com medo que a discussão se agravasse, eu disse:
- Os dois me levam!
E assim foi feito: eu no meio e um de cada lado. Chegando em casa, me despedi dos dois e entrei. Entrei, fechei a porta, mas não subi a escada; fiquei esperando, pois sabia que o Rafael voltaria. Dentro de alguns minutos, uma leve batida... Abri a porta e os braços e matamos as saudades represadas. Sò abraços e beijos , o que se permitia na época.
Em junho, no dia de S.Pedro, ficamos noivos.

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